Primeiro texto que escrevo e partilho com alguém,ainda que com um alguém abstracto, mas um alguém. A maior parte dos que escrevi ou foram para partilhar com professores e aí não era verdadeiramente eu, mas sim, uma mescla de memórias de informação de autores e palha escrita da forma o mais formal que me foi possível,o que acabou por tornar o texto impessoal e descartável.Ou foram textos que escrevi para mim próprio e talvez esses tenham sido demasiado pessoais.Nas circunstâncias em que foram escritos não havia ordem nas ideias ou grande cuidado com a pontuação,escrever nessa altura foi acima de tudo um instrumento para tentar extravasar alguma coisa negativa.
Num caso ou noutro escrever esteve associado a situações negativas (testes em que estava mal preparado e problemas "gravíssimos" que já não recordo).Esta é a primeira vez que a escrita acaba no
prazer e como em qualquer primeira vez em que exista esse risco, sinto me altamente inapto o que
ajudou a adiar este texto umas semanas.
Num caso ou noutro escrever esteve associado a situações negativas (testes em que estava mal preparado e problemas "gravíssimos" que já não recordo).Esta é a primeira vez que a escrita acaba no
prazer e como em qualquer primeira vez em que exista esse risco, sinto me altamente inapto o que
ajudou a adiar este texto umas semanas.
Uma das maiores dificuldades associadas a uma primeira vez é conjugar as expectativas dos outros em relação ao que fazemos e as expectativas que temos em relação ás expectativas dos outros.No caso do blog, uma luta nesta primeira vez é o ponto de partida,antes da dificuldade em escolher um tema, há a pegunta de partida labiríntica: para quê um blog?
Um espaço que privilegie a divagação sobre o nada? Um diário on line sem informação íntima e onde tento parcer mais cool do que sou para a minha legião de seguidores inexistente? A tentativa de continuar a extavasar na escrita mas num regime de "terapia de grupo" ou uma folha em branco onde explano/penso os sentimentos de forma anónima? Sinceramente ainda não sei...
Enquanto definimos a identidade do nosso blog, ou não,porque não há a necessidade de ser estruturado ou "com cenário" e não há a certeza de que em algum momento venha a ficar clara essa identidade, nem que isso seja proveitoso.Avancei com o primeiro esboço de qualquer coisa. É também isto que caracteriza a primeira vez, a incerteza do melhor a fazer mas ainda assim o passo em alguma direcção. O primeiro beijo, a primeira volta de bicicleta, o primeiro dia de aulas, a "primeira vez" com outra pessoa, são sempre saltos para o nada e durante a queda vais te conhecendo, por muito que problematizes ou que te tentes preparar nada te prepara como fazeres. Preparei-me bastante para a maior parte das referidas primeiras vezes e tenho a certeza de que por muito que a primeira tenha corrido bem, a segunda, depois de ter feito, correu melhor. Nada contra o planeamento, pelo contrário,vale ouro,mas a dada altura se não deres o passo torna-se contraproducente.
Na tentativa de chegar a uma melhor versão de mim próprio este é um primeiro passo e hoje, pelo menos nesta área, o medo de falhar levou na tromba da coragem de tentar qualquer coisa minha. Que se repita e que eu me aperceba. Aquele abraço imaginário para todos os alguéns abstractos que se passaram com este texto. Humildemente DN.
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