terça-feira, 30 de julho de 2013

Sem título

Hoje fui dos últimos a sair do ginásio, nunca tal me tinha acontecido. O ginásio fecha às 22 horas e às 21:50 éramos cerca de 10/12 pessoas lá dentro a tocar os últimos acordes. Para um ginásio que costuma ter, com regularidade, cerca de 80/100 pessoas, esta foi uma experiência diferente, mais intimista, sem o corrupio das horas ditas normais (já nem digo de ponta, porque aí é o caos e a espera para fazer cada exercício é exasperante, tornando pouco prazerosa a experiência de ir ao ginásio). Senti-me bem, é uma experiência a repetir, e para adensar ainda mais esta experiência, saí do ginásio e fui envolvido por uma brisa tépida, inspirei fundo várias vezes, parei, olhei para o céu feito maluquinho no meio da rua na esperança de ver um céu alentejano, e depois pensei "que ingénuo, estou em Lisboa". Cheguei perto do carro rapidamente e já sabia que a partir do momento em que entrasse no carro iria direito a casa e o dia terminaria aí. Tentei arrastar ao máximo o processo de entrar no carro. Olhei para o telemóvel, vi uma chamada não atendida da minha mãe. Liguei-lhe, quis falar ali com ela, fora do carro, quis inspirar aquela temperatura amena enquanto trocava um diálogo prosaico com ela. Entrei dentro do carro, liguei o motor, e comecei a descer à rua em direcção ao lar. Na cabeça estava a vontade de ir directo à praia, apesar do adiantado da hora. Faltou-me a coragem e imperou a lógica, o excesso de racionalidade que tantas vezes é necessária para a vida ser equilibrada. De um lado a vontade, a sensação, do outro os óbices: trabalho no dia a seguir e acordar às 8 da manhã, o ter que preparar a comida para o dia seguinte, o dinheiro gasto em gasolina por uma hora na praia, o ir sozinho. Não gosto da vida com estas amarras, mas neste momento este tipo de racionalidade é um mal extremamente necessário e edificador.
Por vezes o barco necessita de ficar ancorado algum tempo antes de se lançar ao mar, e aí começa a aventura, pegas no leme e navegas, deixando o mar e o vento fazerem o seu papel, não há amarras, há bússolas e mapas que horas usas ora guardas, há mundo por desbravar, a descoberta, uma das mais belas coisas da vida.
 
 
 
 

sábado, 20 de julho de 2013

Os meus Pés


Após o interregno necessário para uma reflexão profunda, o tema para o meu próximo texto foi finalmente definido. O rufar de tambores que antecede momentos altamente empolgantes e de alguma tensão, tais como este , desta vez não será utilizado porque o tema é mencionado no título, sim…Será um texto sobre os meus pés.

A epifania surgiu, quando o meu irmão, um observador nato, após ouvir da pessoa com quem partilha muito do adn a dizer – este é o terceiro par de chinelos que me faz uma ferida nos pés...  - reagiu com a perspicácia de um - Mano, tens os pés mesmo feios!  – fazendo me imediatamente ficar melhor da dor, ao perceber a metáfora que ele me quis mostrar e que me atropelou na forma daquela situação.

Os meus pés são bastante funcionais, mas não correspondem ao ideal de beleza que tem sido definido e veiculado nos anúncios de cremes para o corpo. Os dedos não são completamente direitos e alguns, os chamados ” médicos ”, podem argumentar que tenho um dedo consideravelmente  maior que os outros nove. No entanto, os meus pés têm o nível de fragilidade de um recém nascido. Fico com pequenas lesões com muita facilidade, a areia da praia faz me confusão, tenho cócegas e faz me impressão que me toquem nos pés em geral. Há muitas pessoas que se passeiam com pés de uma beleza convencional e mais consensual, mas que quase nem se lembram que têm pés, não apresentando nenhum tipo de sensibilidade, mal olham para os pés e só se lembram deles para comparar com alguém que acham que tem os pés feios.

A metáfora que me parece completamente inequívoca na observação do meu irmão, é em relação à maneira como nos relacionamos com  beleza, quando a vivemos de uma perspectiva quase competitiva. Sabendo que será redutor para alguns, em ambos os lados do exemplo, é necessária a generalização para explicar o ponto de vista.

 Os que têm uma beleza menos óbvia acabam por senti-la com mais intensidade, ou na procura de se aproximarem mais dos estereótipos de beleza, pensando comparativamente e avaliando demoradamente as nuances das suas imperfeições. Idealizando a beleza a que aspiram, delimitando os pormenores dessa espetacularidade e valorizando intensamente cada conquista/melhoria nesse campo. Derradeiramente acabam  por se definir pela aproximação do tal aspeto, muitas vezes esquecendo que a verdadeira beleza é o lado individual da que cada um possui. Vivendo no elogio alheio uma experiência marcante em que tiveram um gosto dessa vida a que aspiram.

Neste contexto competitivo ,antagonicamente vivem aqueles cuja beleza é alvo da inveja, todavia para os próprios, essa mesma “beleza” torna se banal. Um elogio a essa beleza é uma constatação óbvia e algo que já foi tão repetido que é necessário um insulto para chamar a atenção de alguns destes seres. A beleza não é um deleite para os que a vivem na primeira pessoa, não ficam a analisar com detalhe esse esplendor. Lembram-se dela quando comparados aos que não a possuem e quando começam a ter medo de estar a perde-la, antes dessa fase tornam-se insensíveis à sua beleza unanime. Da mesma forma que alguém que tem as duas pernas não fica radiante por ter as duas pernas  até ver alguém que não tem esse privilégio ou quando está na iminência de ele próprio deixar de tê-las a funcionar corretamente.

Tornando se a beleza algo que quando vivida segundo as coordenadas dos outras é dolorosa ou indiferente, a grande moral desta história é personificares a alternativa de viveres a tua beleza. Aceitares o belo que há naquilo que és e celebrares a beleza que há no mundo evitando medires te por aí é a forma de conciliar beleza e bem estar.

Por tudo isto, sumariando o acima descrito e citando a resposta que dei ao meu irmão –  Cala-te! Os meus pés são lindos – Aproveitem, os melhores cumprimentos para os vários milhões que congregaram atenções neste texto.

 

 

 

 

 

domingo, 23 de junho de 2013

"Sejam realistas, peçam o impossível"

Hoje revisitei o slogan do Maio de 68, há muito escondido da minha memória. Não vou discorrer sobre o sentido do slogan e do seu contexto social e político. Vou apenas sequestrá-lo e forçá-lo a um sentido aplicável a mim, a nós, ao indivíduo contemporâneo.
Ser realista e pedir o impossível não é ludibriar expectativas, colocar metas irrealizáveis e depois entrar num marasmo revoltante, que não só sabota ainda mais o caminho que pode levar às metas como nos pode atirar para uma navegação cabisbaixa, soturna e sem norte.
O título deste post significa que devemos ter ambição, devemos ser inconformados, exigir o que temos direito e o que achamos justo para nós. O primeiro passo para se ter sucesso nos objectivos propostos reside na dialéctica autoconhecimento/noção do meio envolvente, o segundo passará por uma luta consistente e constante pelos fins, pela capacidade de ser resiliente. E na minha opinião, embora a resiliência varie consoante o ser humano, a variabilidade desse traço de carácter está intimamente conectada com o modo como se definem os objectivos (consoante o realismo dos mesmos). Há  uma outra questão pertinente em relação a este assunto. Por vezes, o foco num objectivo que até é realizável a longo prazo, mas que tem de ser obrigatoriamente precedido por várias etapas, ou por um espaço longo de tempo, pode levar à queda, como quando se tenta subir lanços de escadas de 3 em 3 para de forma mais célere se chegar ao topo. Perde-se de vista o imediato, o que é importante, e perante uma má gestão de expectativas, surgem a desmotivação e a descrença. Nada disto é fácil, não somos máquinas, não somos alemães, somos pessoas, somos latinos.
Termino este périplo com a forma de pensar que tento forjar em mim e que me fez reparar particularmente neste slogan, quando hoje o vi numa revista. Há que ser ambicioso (uma ambição terrena, com uma pitada etérea), não podemos ser agrilhoados pelos constrangimentos sociais, pelas experiências e sensações negativas. Não nos contentarmos com o normal, o razoável, o insosso, seja com um trabalho, com amizades, com relações amorosas, deve ser um princípio de vida. O normal é melhor que o mau, mas o que esta vida tem para oferecer em termos de bom, óptimo e excelente é infindável, portanto, meus amigos, sejam realistas, peçam o impossível.
 
 
 
Tchucholini Carpaccio


terça-feira, 11 de junho de 2013

Apetecia-me escrever

 
 
Mas a sensação é de não ter nada para dizer, apetece-me deambular, ir vendo no que é que dá, espreitar por trás da esquina, respirar, cheirar, tocar, rir. Apetece-me levantar a moral das pessoas que merecem, das pessoas que são boas. Apetece-me ter pena daqueles que são mesquinhos, egoístas e superficiais. Uma vénia a quem respeita, uma vénia a quem valoriza. A vida é uma sucessão de momentos, uns iguais aos outros, estamos contemporânea e sociologicamente formatados para desvalorizar os bons momentos, as boas pessoas. De repente olhamos para trás e o momento agiganta-se, já passou, já não os temos, talvez não se repitam. Por outro lado parece que há uma fúria social competitiva em que acabas por não conseguir desfrutar o tempo próprio do momento.
Este baile de máscaras social que ora me repugna ora me encanta. Queremos mostrar o melhor de nós, amostra que muitas vezes não existe, queremos esconder o que é aparentemente reprovável, quando é no pormenor, no defeito, na particularidade, que se cria o carácter especial, único e marcante do ser humano. É a minha opinião. Não sei se é da idade. Mas chegando aos 32 anos estou farto do normal. Não tentes ser igual aos outros, deixa a tua marca. Podes não ser o melhor, mas podes ser particular. E quem não gosta de ter algo único? Eu tenho o orgulho de conhecer 2 ou 3 pessoas únicas, e garanto-vos que são as melhores pessoas.


Uma boa música, um bom livro, um bom filme, uma boa paisagem, uma boa acção, uma boa reflexão, um bom texto. As sensações subjacentes a estes objectos\actos partilhadas com quem tenha a mesma filosofia de vida, isso sim parece-me a verdadeira vida. Atenção, falo de pessoas, de amigos, família, etc. Estas ideias lançadas atrás poderiam, para os mais incautos sugerir a ideia de relações amorosas. Oh que se foda o amor (pelo menos para já), há mais na vida para desfrutar, muito mais, e ficarmos reféns da ideia de que as boas coisas da vida só fazem sentido com alguém ao lado é estarmo-nos a privar da vida.
Este texto não foi escrito para ter sentido, para ter um esqueleto interno ou sequer um fio condutor. Como disse, apetecia-me escrever, sem ter ideias, andando, tropeçando, erguendo e esvaziando.
 
PS: Estou a começar perversamente a gostar desta ideia de fingirmos estar a escrever para um público quando ninguém lê isto.
 
 
El Pseudo Tchucho

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Badeçocomi

Bom dia/tarde/noite.

Depois do primeiro texto, a adaptação e grande motivação com novos objectivos a juntar a uma nova organização de tempo,definiram uma distância de umas semanas(quase 2 meses) até ao segundo. Isto que aparentemente não é algo assim tão importante/interessante, cumpre uma dupla função de,primeiro, servir como uma justificação para mim próprio para este atraso nas minhas ambições para o blog e segundo é excelente para fazer a ponte com o tema e puxar o fio condutor deste texto,porque junta as várias palavras chave do que vou expor,isto tudo na primeira frase.Vejamos:

A motivação, esse motor para o sucesso que ,qual motor de um Punto de 94, tantas vezes falha e significa uma queda para o insucesso. A facilidade com que sentimos " cliques" negativos que nos levam para baixo é incomparavelmente superior à capacidade de ouvir ou utilizar os positivos para nos sentirmos bem. A maldita e ao mesmo tempo abençoada "balança dos cliques". O amargo do clique negativo abundante é o que nos leva a estar uma vida inteira à procura de estarmos realmente satisfeitos e o que nos mantém "a correr". Se o verdadeiro prazer está no caminho e a felicidade só pode existir como um momento, quanto mais caminhares por estar insatisfeito,mais te expões à felicidade. Parado o feliz torna-se o normal e rapidamente acaba como o mau.Então anda!Tens de andar para criar os tais momentos para ti. Sejam como forem,são os teus momentos,não há só uma maneira boa para viver a vida,tens de andar,sobreviver a muitos cliques e fazeres um caminho a que possas chamar o teu caminho,de modo a poderes ser feliz mais vezes.

Objectivos, na sequência do que escrevi ,e no auge do meu arrojo de opinar sobre como podes viver a vida, um homem só é homem se tiver objectivos. Tenho a plena convicção de que só vivendo com objectivos definidos por ti é que vives e deixas de sobreviver, tens de ter a coragem de pôr a fasquia alta para ti e esticares os limites.Em criança só quando esticas ao limite o risco de ires desamparado com os queixos ao chão é que começas a andar. O começar a andar aqui também tem o lado simbólico da evolução,evoluis cada vez que esticas os limites em prol de um objectivo,quer consigas quer falhes. Estas metas que acabam por ser os objectivos a que te propões alcançar,balizam a evolução para ti próprio nesta luta de esticar o limite. Um homem precisa de ter sonhos! Eu lembro-me por exemplo de um dos vários sonhos que tenho(Sim, que eu quando é para sonhar não tenho vertigens vou lá bem ao alto) tenho o sonho de que o meu irmão um dia leia isto e que a par do que tento ser para ele,que isto o inspire a tentar ser melhor por ele e pelos dele e a continuar a ter a autenticidade em tudo o que tenta fazer, basta isso para o blog ter sido um sucesso do outro mundo(se ler mesmo,aproveitar também e que o inspire a estar uma distância de segurança da droga,álcool e herpes).

Organização, por coincidência,a última palavra que vou buscar à primeira frase do texto pode ser também o fim para qualquer boa intenção de caminho.Esta parte na minha pessoa ainda é um ponto que estou a trabalhar como podem perceber pela minha incapacidade de gerir coisas novas na minha rotina e cumprir prazos,mas em breve vou fazer uma vítima de TOC(transtorno obsessivo compulsivo) ficar impressionada(com o gigante respeito que me merecem não será nada fácil ter a doença e um dia vou dedicar um texto ao tema) . Só racionalmente não conseguimos chegar lá, das últimas vezes que me tem parecido que começava um caminho que podia ajudar a ser uma melhor versão de mim próprio falhei na confusão de prioridades, de preocupações e consequentes medos. A organização é a base que te permite ter disponibilidade para este encadeamento, ou seja só a organização possibilita que a motivação se traduza em objectivos. A auto disciplina que tanto se elogia não é mais que organização mental de prioridades,seres coerente com essa organização e não te expores a situações que influenciem negativamente a tua vida arrumando a tua rotina e estipulando convivência com pessoas e situações em função do que queres para ti. Auto disciplina que como conceito agrada mas pensando nos tempos que correm e pelo estilo de vida contemporâneo é sinónimo de ser certinho ou retrógrado,mas la esta um texto de cada vez,foi bom voltar… Os melhores cumprimentos DN.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Krav Maga

O post de hoje é dedicado à mais recente descoberta da minha vida. Até há cerca de 6 meses atrás nunca me tinha passado pela cabeça que um dia ia praticar um desporto de luta. Nunca o tinha desejado, nunca senti a necessidade, sempre fui de evitar o confronto físico, sendo um pouco eufemístico e em relação à minha única experiência de artes marciais (karaté), ocorrida na primária, a recordação não era briosa, pois cheguei a ser o único miúdo com cinturão branco após meses de treino. Eis que, há 2 meses e meio me inscrevi na arte marcial israelita de defesa pessoal denominada de Krav Maga. Apesar da notória falta de aptidão e da tímida evolução, confirmando os auspícios da infância, a experiência está a ser a todos os níveis profícua. Assim que entro no recinto onde se pratica a aula e durante uma hora, esqueço todos os problemas. Os ténis são descalços à entrada, e encaminhados manualmente para a zona dos bancos, mas os problemas e as preocupações são "barrados". A concentração absoluta nas várias técnicas e o esforço físico a isso ajudam. Mente e corpo agradecem. Não sei se algum dia serei um praticante aceitável de krav maga, os erros acumulam-se e a pressa de querer evoluir transforma-se em frustração às páginas tantas. Mas uma coisa é certa, são duas horas semanais que são muitíssimo bem empregues. Não consigo destacar um ponto negativo, e quando assim é vale a pena. Escrevi este post para homenagear a modalidade e para reforçar uma verdade sabida, sem se experimentar não se vive, não se descobrem as paixões e as vocações. Eu como "experimentador" mediano estou a aprender o que alguns já sabiam e o que muitos desconhecem.

PS: O Krav Maga não é considerado uma luta ou arte marcial, mas sim um conjunto de técnicas de defesa pessoal ou um sistema de combate corpo a corpo. Para simplificar a escrita do texto optei por recorrer a essas denominações.
 

Ite, missa est. SP




 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Habemus post

Com 32 anos feitos há 2 dias, dou início à minha participação neste blogue. Longa vida ao renascimentoverbal.blogspot.com, Urbi et Orbi. Este vai ser um espaço sobretudo de ensaio, de experiência e de tentativa. Como acontece na sequência da prática dos actos atrás referidos, o erro, a gralha, o ridículo e a falha, farão parte deste blogue, com a mesma naturalidade de quem aumenta um imposto ou baixa um salário. Mas diz-se por esse mundo fora, que o erro favorece o crescimento, a evolução. Por conseguinte, aqui queremos errar. Tenho também a pretensão pessoal de que funcione como um escape, que tenha efeitos terapêuticos, que dê voz à mudez recôndita.
Se o recém-nascido sobreviver alguns meses com publicações regulares será uma vitória, mas muitas vitórias opacas poderão advir da regularidade da reflexão, da partilha e da escrita.

                                                                                                                              
                                                                                                                                                                                                       Ite, missa est. SP

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Primeiro passo

Primeiro texto que escrevo e partilho com alguém,ainda que com um alguém abstracto, mas um alguém. A maior parte dos que escrevi ou foram para partilhar com professores e aí não era verdadeiramente eu, mas sim, uma mescla de memórias de informação de autores e palha escrita da forma o mais formal que me foi possível,o que acabou por tornar o texto impessoal e descartável.Ou foram textos que escrevi para mim próprio e talvez esses tenham sido demasiado pessoais.Nas circunstâncias em que foram escritos não havia ordem nas ideias ou grande cuidado com a pontuação,escrever nessa altura foi acima de tudo um instrumento para tentar extravasar alguma coisa negativa.

Num caso ou noutro escrever esteve associado a situações negativas (testes em que estava mal preparado e problemas "gravíssimos" que já não recordo).Esta é a primeira vez que a escrita acaba no
prazer e como em qualquer primeira vez em que exista esse risco, sinto me altamente inapto o que
ajudou a adiar este texto umas semanas.
Uma das maiores dificuldades associadas a uma primeira vez é conjugar as expectativas dos outros em relação ao que fazemos e as expectativas que temos em relação ás expectativas dos outros.No caso do blog, uma luta nesta primeira vez é o ponto de partida,antes da dificuldade em escolher um tema, há a pegunta de partida labiríntica: para quê um blog?
Um espaço que privilegie a divagação sobre o nada? Um diário on line sem informação íntima e onde tento parcer mais cool do que sou para a minha legião de seguidores inexistente? A tentativa de continuar a extavasar na escrita mas num regime de "terapia de grupo" ou uma folha em branco onde explano/penso os sentimentos de forma anónima? Sinceramente ainda não sei...
Enquanto definimos a identidade do nosso blog, ou não,porque não há a necessidade de ser estruturado ou "com cenário" e não há a certeza de que em algum momento venha a ficar clara essa identidade, nem que isso seja proveitoso.Avancei com o primeiro esboço de qualquer coisa. É também isto que caracteriza a primeira vez, a incerteza do melhor a fazer mas ainda assim o passo em alguma direcção. O primeiro beijo, a primeira volta de bicicleta, o primeiro dia de aulas, a "primeira vez" com outra pessoa, são sempre saltos para o nada e durante a queda vais te conhecendo, por muito que problematizes ou que te tentes preparar nada te prepara como fazeres. Preparei-me bastante para a maior parte das referidas primeiras vezes e tenho a certeza de que por muito que a primeira tenha corrido bem, a segunda, depois de ter feito, correu melhor. Nada contra o planeamento, pelo contrário,vale ouro,mas a dada altura se não deres o passo torna-se contraproducente.
Na tentativa de chegar a uma melhor versão de mim próprio este é um primeiro passo e hoje, pelo menos nesta área, o medo de falhar levou na tromba da coragem de tentar qualquer coisa minha. Que se repita e que eu me aperceba. Aquele abraço imaginário para todos os alguéns abstractos que se passaram com este texto. Humildemente DN.