Acção : indecisão entre sítios fictícios baseados em Lisboa ( a grande metrópole Viriato e subúrbios (Massamá - ... )
Mecenas; milionário; pouco afectivo; ascendência nobre, diplomático, por vezes cínico (Álvaro Sobral), não se lhe conhece família, uma governanta (Alice), Vivenda no Cartaxo ( inventar nome). Nascido em Guimarães, entre os 4 e as 10 anos veio viver para Lisboa ( Viriato ). 52 anos. De direita com ligações subtis ao partido monárquico. Empresa multinacional … conservador anti mudança
Alice Tovar – governanta de 56 anos
Tobias – empregado da empresa
Vânia Tovar – filha da governanta 27 anos, depravada,
“A estranheza
com que a mudança se me assoma, deixa-me atordoado”, pensava Álvaro pouco após
ter lido a notícia do jornal “O Público” que transportava debaixo do braço,
acerca da lei que iria permitir que a eutanásia passasse a ser uma prática
legal da medicina. O passo acelerava-se-lhe, como se fosse uma maneira
silenciosa de exprimir a sua zanga com o que acabava de tomar conhecimento. Não
conseguia entender o porquê de as pessoas quererem fazer o trabalho de Deus e
não só não o conseguia entender, como inferia do seu raciocínio a atrocidade da
ideia que estaria prestes a ser posta em prática. Para o quinquagenário, a
evolução tecnológica e ideológica do século XXI não era mais que uma perversão
dos bons valores sociais de outras épocas, e aquilo a que muitas pessoas
chamavam desenvolvimento, não passava de uma bola de neve viral que continuava
a crescer e que daí a alguns anos iria ter consequências profundamente nefastas
para a sociedade.
Agora prestes
a chegar ao seu grande Saab no qual tinha muito orgulho e que ostentava com
indiferença perante todos os outros automóveis, Álvaro só pensava em sair o
mais depressa possível de Lisboa, e de chegar de uma forma célere ao seu poiso,
a sua casa no Cartaxo. O crepúsculo anunciava-se e não tardava a noite cair.
Pensava nos prazeres a desfrutar quando chegasse a casa, um banho tépido de
banheira cheia como era hábito depois de um dia de trabalho, os deliciosos
jantares de Alice, a sua governanta, a grande poltrona de cabedal que era na
sua opinião o lugar mais confortável do mundo, e o deleite que se iria ocasionar
aquando da observação das obras de arte espalhadas por quase toda a casa. Desde
esculturas africanas, a frescos de pintores europeus do renascimento, passando
por achados arqueológicos, ali a arte estava patente e reflectia uma das
grandes e poucas paixões de Álvaro Sobral.