domingo, 2 de fevereiro de 2014

Regresso


Este post de regresso é um achado (encontrado num dvd que continha um backup de um computador antigo) que aproveito para colocar aqui no blog, sem tirar nem pôr, um copy paste sem qualquer exclusão para efeitos "bloguísticos". Uma tentativa de começo de um livro, mais olhos que barriga, uma promessa adiada.

Acção : indecisão entre sítios fictícios baseados em Lisboa ( a grande metrópole Viriato e subúrbios (Massamá - ...  )

Mecenas; milionário; pouco afectivo; ascendência nobre, diplomático, por vezes cínico (Álvaro Sobral), não se lhe conhece família, uma governanta (Alice), Vivenda no Cartaxo ( inventar nome). Nascido em Guimarães, entre os 4 e as 10 anos veio viver para Lisboa ( Viriato ). 52 anos. De direita com ligações subtis ao partido monárquico. Empresa multinacional … conservador anti mudança

Alice Tovar –  governanta de 56 anos


Tobias – empregado da empresa

Vânia Tovar – filha da governanta 27 anos, depravada,

 Frederico Santos – confiante, semi-vistoso


“A estranheza com que a mudança se me assoma, deixa-me atordoado”, pensava Álvaro pouco após ter lido a notícia do jornal “O Público” que transportava debaixo do braço, acerca da lei que iria permitir que a eutanásia passasse a ser uma prática legal da medicina. O passo acelerava-se-lhe, como se fosse uma maneira silenciosa de exprimir a sua zanga com o que acabava de tomar conhecimento. Não conseguia entender o porquê de as pessoas quererem fazer o trabalho de Deus e não só não o conseguia entender, como inferia do seu raciocínio a atrocidade da ideia que estaria prestes a ser posta em prática. Para o quinquagenário, a evolução tecnológica e ideológica do século XXI não era mais que uma perversão dos bons valores sociais de outras épocas, e aquilo a que muitas pessoas chamavam desenvolvimento, não passava de uma bola de neve viral que continuava a crescer e que daí a alguns anos iria ter consequências profundamente nefastas para a sociedade.

Agora prestes a chegar ao seu grande Saab no qual tinha muito orgulho e que ostentava com indiferença perante todos os outros automóveis, Álvaro só pensava em sair o mais depressa possível de Lisboa, e de chegar de uma forma célere ao seu poiso, a sua casa no Cartaxo. O crepúsculo anunciava-se e não tardava a noite cair. Pensava nos prazeres a desfrutar quando chegasse a casa, um banho tépido de banheira cheia como era hábito depois de um dia de trabalho, os deliciosos jantares de Alice, a sua governanta, a grande poltrona de cabedal que era na sua opinião o lugar mais confortável do mundo, e o deleite que se iria ocasionar aquando da observação das obras de arte espalhadas por quase toda a casa. Desde esculturas africanas, a frescos de pintores europeus do renascimento, passando por achados arqueológicos, ali a arte estava patente e reflectia uma das grandes e poucas paixões de Álvaro Sobral.


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